Segundo dados divulgados no início de janeiro, a Tesla entregou 418.227 veículos no quarto trimestre de 2025, uma queda de 16% em relação ao mesmo período do ano anterior. No acumulado do ano, as vendas somaram cerca de 1,64 milhão de unidades, recuo de 8,6%. O desempenho ficou abaixo das expectativas do mercado e reforçou um movimento de desaceleração iniciado em 2024.
A BYD seguiu na direção oposta. A fabricante chinesa entregou aproximadamente 2,26 milhões de veículos 100% elétricos em 2025, crescimento tanto no quarto trimestre quanto no resultado anual. O avanço ocorreu em um contexto de expansão do mercado global de elétricos, que cresceu cerca de 28% no ano, impulsionado principalmente pela Europa.
Além dos elétricos a bateria, a BYD também manteve forte volume de híbridos plug-in, com mais de 2 milhões de unidades vendidas pelo segundo ano consecutivo — um fator que amplia ainda mais sua escala global.
Pressão competitiva e cenário político
O desempenho da Tesla foi afetado por um ambiente mais competitivo na América do Norte e na Europa. Montadoras chinesas e grupos tradicionais como Volkswagen e BMW aumentaram a oferta de modelos elétricos, enquanto a empresa de Elon Musk enfrentou desgaste de imagem em alguns mercados, associado a posicionamentos políticos do executivo e à sua atuação no governo dos Estados Unidos.
Outro fator relevante foi o fim dos incentivos federais à compra de veículos elétricos nos EUA. A administração do presidente Donald Trump encerrou o crédito fiscal de até US$ 7.500 e flexibilizou regras de eficiência energética e emissões. A mudança impactou diretamente a demanda, especialmente após setembro, quando houve uma corrida pontual para aproveitar os benefícios antes do encerramento.
Para tentar sustentar o volume, a Tesla lançou versões mais simples dos Model 3 e Model Y na Europa, com preços cerca de US$ 5 mil menores. A estratégia ajudou a ampliar o alcance dos modelos, mas foi vista por parte do mercado financeiro como limitada, por não representar um produto realmente novo ou um corte de preços mais agressivo.
Apesar da perda de espaço no mercado automotivo, os investidores continuam atentos à aposta da Tesla em inteligência artificial, direção autônoma e robótica. O valor das ações da empresa segue fortemente associado a esses projetos, como o desenvolvimento do serviço de robotáxi e do futuro Cybercab, um compacto de dois lugares apresentado como conceito e ainda dependente de aprovação regulatória.
No entanto, analistas têm reduzido as projeções de vendas da Tesla para 2026. Há dois anos, o mercado esperava mais de 3 milhões de veículos entregues; hoje, a média das estimativas gira em torno de 1,8 milhão.
A empresa também destacou crescimento em sua divisão de energia. Em 2025, a Tesla implantou 46,7 gigawatts-hora em sistemas de armazenamento, recorde anual e avanço significativo frente ao ano anterior.
Enquanto a Tesla busca estabilizar seu negócio principal, a BYD avança rapidamente fora do mercado chinês. Em 2025, a empresa vendeu cerca de 1 milhão de veículos no exterior, alta de aproximadamente 150% em relação a 2024. Para 2026, a meta é chegar a até 1,6 milhão de unidades fora da China, embora o grupo não tenha divulgado uma projeção global consolidada.
O resultado reforça a mudança no equilíbrio do mercado mundial de veículos elétricos, com fabricantes chineses assumindo papel central e pressionando marcas tradicionais a reverem estratégias de preço, produto e posicionamento tecnológico.
Fonte: Autonews


















