De acordo com informações divulgadas pela própria companhia e listagens de concessionárias analisadas pela Reuters, a retomada do diesel inclui desde vans de passageiros até hatchbacks como o Peugeot 308 e o DS 4. A decisão ocorre em um contexto de vendas de veículos elétricos abaixo das projeções no continente e de flexibilização regulatória que reduziu a pressão por eliminação total dos motores a combustão até 2035.
Nos Estados Unidos, principal mercado do grupo, a política também tem mudado. A administração do presidente Donald Trump revogou a conclusão científica que classificava as emissões de gases de efeito estufa como ameaça à saúde humana, eliminando padrões federais de emissões para escapamentos de carros e caminhões.
Em comunicado, a Stellantis afirmou ter decidido manter motores a diesel no portfólio e, em alguns casos, ampliar a oferta de sistemas de propulsão, com foco na demanda do consumidor e na geração de crescimento.
Em 2015, veículos a diesel representavam pelo menos metade das vendas de carros novos na Europa. A participação começou a cair após a descoberta de que a Volkswagen e outras montadoras utilizaram softwares para fraudar testes de emissões, episódio que resultou em multas bilionárias e maior rigor regulatório.
Dados da associação europeia do setor automotivo ACEA indicam que os modelos a diesel responderam por 7,7% das vendas de carros novos no continente em 2025, enquanto os veículos totalmente elétricos alcançaram 19,5%.
Apesar da retração, o diesel permanece em um segmento pouco explorado por fabricantes chineses, concentrados em elétricos e híbridos plug-in. Além disso, esses modelos costumam ter preço inferior ao de veículos totalmente elétricos, fator relevante em um momento de pressão financeira sobre as montadoras.
Investimentos e retorno de motores a combustão
A Stellantis anunciou perdas contábeis de €22 bilhões relacionados à redução de seus planos para eletrificação, levando as ações ao menor nível desde a criação do grupo, em 2021. A empresa havia projetado que veículos totalmente elétricos representariam 100% das vendas europeias e 50% das vendas nos EUA até 2030, metas agora distantes diante da demanda menor que o esperado.
Como parte da estratégia para recuperar participação de mercado, a companhia já havia retomado modelos a combustão nos EUA, como o Jeep Cherokee com motor Hemi V8, e lançado uma versão híbrida a gasolina do Fiat 500 ao lado da variante elétrica.
Na Europa, versões a diesel voltaram a ser oferecidas em utilitários leves como Opel Combo, Peugeot Rifter e Citroën Berlingo. A empresa também confirmou a continuidade de modelos movidos a diesel em marcas premium do grupo, incluindo o DS 7 e veículos da Alfa Romeo, como Tonale, Stelvio e Giulia, citando demanda consistente de clientes.
A reintrodução desses motores indica uma estratégia mais pragmática da Stellantis, alinhada às condições reais de mercado e à resposta dos consumidores, em contraste com metas anteriores de eletrificação total no curto prazo.
https://www.youtube.com/watch?v=bWHCGmEADH4
Fonte: AutoNews


















